POR OSWALDO VIVIANI
Também tiveram suas prisões preventivas decretadas, por participação no mesmo crime, o ex-policial militar Josuel Sodré Saboia – já preso desde o dia 2 de fevereiro deste ano – e Irismar Pereira, o “Uroca”, igualmente detido.
Flaviano Pinto Neto era presidente da entidade quilombola Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Povoado Charco. De acordo com a polícia, a disputa entre os quilombolas e o “grileiro” “Manoel de Gentil” por uma área de 1,4 hectares de terra – conhecida como “Fazenda Juçaral” – foi a motivação do assassinato de Flaviano. Ele liderava a comunidade de cerca de 70 famílias quilombolas da comunidade do Charco que desde 2005 lutam pela titulação da área.
Segundo a polícia, Flaviano foi assassinado com 7 tiros, depois de ser atraído para uma cilada pelo ex-PM Josuel Sodré Saboia.
Irismar Pereira é apontado pela polícia como o executor do homicídio. Ele foi preso no dia 5 de janeiro passado, mas sob a acusação de mandar matar o motorista Ronielson Lima Pinheiro, o “Roni”, 28. O crime aconteceu em 14 de setembro de 2010, e teria motivação passional.
Manoel Martins de Jesus Gomes, o “Manoel de Gentil”, já havia sido preso em 22 de fevereiro passado, também em cumprimento a um pedido de prisão da juíza Odete Maria Pessoa Mota.
Um dia depois, o desembargador Antonio Fernando Bayma Araujo concedeu um habeas corpus ao acusado. Para Bayma, a prisão do suspeito não se fazia necessária, uma vez que a apuração dos fatos já havia sido realizada, além de “Manoel de Gentil” não atuar, segundo o desembargador, para prejudicar as investigações.
Ouvido na época pelo Jornal Pequeno, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MA), Luís Antônio Pedrosa, afirmou que a decisão do desembargador Bayma demonstrou como funciona o sistema de Justiça do Maranhão. “Rico não fica na cadeia”, disse Pedrosa.
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